O grupo de trabalho criado para examinar a sustentabilidade do sistema de segurança social defendeu terça-feira a adopção de regimes de pensões profissionais com inscrição automática e opt-out.
Segundo o coordenador do grupo, Jorge Bravo, esta medida seria importante «para complementar a pensão do Estado, preservando a opção de recusa de participação», disse durante a apresentação do relatório em Lisboa.
Em causa estão «regimes de poupança-reforma em que os trabalhadores elegíveis são inscritos por defeito no momento da assinatura do contrato de trabalho, ou, nos regimes existentes, são automaticamente inscritos, mantendo-se elegíveis para o regime; mantêm sempre a opção de exercer uma cláusula de opt-out caso prefiram não participar».
Desta forma, inverte-se o peso da tomada de decisão, «porque está comprovado, nos países onde este sistema foi adotado, que a simples inversão do peso da tomada de decisão numa perspetiva complementar levou a um aumento exponencialmente maior da participação», explicou.
Este sistema seria estruturado em três fases: a fase de inscrição, a fase de acumulação de poupança e a fase de retirada.
Na fase de tomada de decisão, «o trabalhador tem essencialmente de decidir se quer participar, e devemos definir quais os trabalhadores que são automaticamente elegíveis».
Na fase de acumulação, os decisores devem escolher um modelo de contribuição; isto é, quais são as taxas mínimas de contribuição e como a contribuição total é repartida entre as partes envolvidas: o trabalhador, o empregador e o Estado.
Além disso, na fase de pagamento devem ser definidas as modalidades de reembolso, «ou seja, como esse trabalhador terá acesso às suas poupanças», explicou.
O grupo de trabalho propõe uma taxa de contribuição entre 8% e 10%, a ser introduzida «gradualmente e por fases».
Outra medida sugerida pelo grupo de trabalho é a criação de uma conta poupança juvenil para crianças e jovens, com inscrição automática, «para promover a poupança-reforma desde muito cedo».
No centro disto está o programa «grão a grão», que pretende também servir de «pretexto» para a introdução da literacia financeira nas escolas, explicou Jorge Bravo, economista e coordenador do grupo de trabalho.
Segundo o coordenador, trata-se de uma conta poupança reforma individual para crianças e jovens, de «caráter universal e de inscrição automática».
«Todas as crianças residentes em Portugal que estejam matriculadas no sistema educativo seriam automaticamente matriculadas e receberiam apoio público, caso a proposta, claro, fosse aprovada», concluiu.





