Início portugal Gabri Veiga: “O FC Porto está de volta e isso pode incomodar...

Gabri Veiga: “O FC Porto está de volta e isso pode incomodar algumas pessoas”

173
0

Gabri Veiga foi um dos nomes de destaque na campanha que devolveu o FC Porto ao título nacional e, em vésperas da entrega do troféu e das comemorações, olhou para trás para relembrar os momentos que, na sua opinião, definiram a temporada. O médio espanhol falou de sofrimento e união, de reveses que não tiraram a equipa do rumo e de vitórias que se tornaram ainda mais valiosas à medida que a pressão crescia. No centro de tudo estava uma ideia simples e firme: “acima de tudo, não cair”.

À beira dos festejos finais, Gabri Veiga falou à imprensa com a calma de quem já passou pela parte mais exigente da viagem e tenta agora organizar a memória dos dias decisivos. O nome completo do protagonista surge aqui sem esforço: Gabri Veiga foi convidado a relembrar uma época importante no FC Porto, e a sua resposta seguiu sempre o mesmo fio, o da estabilidade emocional de uma equipa que soube resistir ao impacto, ao ruído e à expectativa.

Quando solicitado a destacar um jogo, uma vitória ou um momento decisivo, o espanhol não quis reduzir a temporada a uma única imagem. Preferiu descrevê-lo como uma sequência de testes de resiliência, entre sustos, sinais de força e partidas em que a margem de erro parecia cada vez menor.

“Para mim foram vários momentos. a morte de Jorge, que foi um momento que aproximou a equipe, principalmente na largada; depois a derrota para o Casa Pia… Numa equipa sem tanta personalidade, sem esse trabalho, confiança e união, nunca se saberia para onde iria depois daquela derrota”, afirmou. “E com toda a gente a dizer que o Sporting ia recuperar o primeiro lugar, etc., etc.; depois também acho muito importante a vitória sobre o Braga, um dos rivais que mais me surpreendeu, um dos que mais gostei – uma palavra para eles, porque jogaram, pelo menos contra nós, de forma admirável –; por fim, a vitória sobre o Estoril. O Sporting tinha um jogo a menos e, se tivéssemos perdido, seria um momento em que nos poderiam ultrapassar. O Estoril também foi uma equipa muito forte, algo que me surpreendeu nas equipas portuguesas, o nível é realmente muito elevado. Essas foram as vitórias, esses foram os acontecimentos e, acima de tudo, não a queda.”

Mais do que uma simples sequência cronológica, a resposta traça um retrato do espírito competitivo que, na visão do jogador, sustentou a jornada. Veiga sublinhou o que distingue uma equipa que vacila daquela que consegue absorver o golpe e seguir em frente, deixando claro que o título também se construiu na forma como o FC Porto reagiu quando a situação ameaçava complicar-se.

Questionado se a derrota frente ao Aves SAD mancha a campanha, o médio descartou a ideia sem hesitar. Fê-lo de forma pragmática, lembrando que mesmo as equipas campeãs falham quando descem de nível e que, nesses casos, o aviso pode ser útil.

– Não, acredito que não. Aliás, esta quarta-feira tivemos outro exemplo ao mais alto nível: o Barcelona, ​​que há dois dias festejava, perdeu para um Alavés que lutava para se manter na posição”, explicou. “O Aves não tinha nada pelo que jogar e tínhamos aquela vontade de igualar o recorde de pontos, bem como os golos pessoais, mas são coisas que podem acontecer. É uma lição compreender que, quando não estamos a 100 por cento, se recuarmos um pouco, todas as equipas são suficientemente competentes para nos proporcionar uma tarde má. É algo com que temos que aprender e não baixar o nível no próximo ano.”

Os comentários revelam a forma exigente como o camarim encara o seu próprio trabalho: sem dramatizar o deslize, mas também sem o esconder. Na leitura de Gabri Veiga, a derrota não apaga a jornada nem prejudica a legitimidade da campanha; em vez disso, serve como um lembrete de que, no topo, qualquer vantagem nunca permite a complacência.