Início guerra Imported Article – 2026-04-02 03:17:05

Imported Article – 2026-04-02 03:17:05

8
0

Em 17 de julho de 2025, a Ucrânia suspendeu a operação da Convenção de Banimento de Minas Antipessoais (Convenção de Oslo-Ottawa) e notificou os demais Estados Partes por meio do Secretário Geral da ONU, depositário designado do tratado. A razão para a suspensão pode ser entendida através da lente da reciprocidade. A Rússia, que não é parte da Convenção e não está vinculada por suas estritas obrigações, utilizou minas antipessoais em várias ocasiões em seu conflito armado com a Ucrânia. A Ucrânia suspendeu a Convenção de Oslo-Ottawa para estabelecer reciprocidade no uso de minas antipessoais e evitar desvantagens no conflito.

No entanto, a suspensão pela Ucrânia é problemática do ponto de vista do direito dos tratados. A Convenção de Oslo-Ottawa está de fato alinhada, em questões de retirada, com outros tratados de DIH. Quando um Estado Parte está envolvido em um conflito armado, o Artigo 20(3) da Convenção adia o efeito da retirada do Estado até o final do conflito armado. Além disso, não há disposição separada para suspensão na Convenção. Por não haver uma cláusula de suspensão, a suspensão seria impossível, a menos que houvesse um motivo baseado no direito internacional geral dos tratados para suspender.

Em resposta à suspensão da Ucrânia, a Suíça e um pequeno grupo de outros Estados formalmente se opuseram à suspensão da Ucrânia, expressando a opinião de que era inadmissível. O depositário transmitiu essas objeções à Assembleia dos Estados Partes, que se reuniu em dezembro de 2025. Um relatório final emitido pela Assembleia concluiu que a Convenção não permite a suspensão e, consequentemente, chamou a Ucrânia, como Estado Parte, a se engajar mais no âmbito da Convenção.

Interpretação da Suspensão de um Tratado O regime da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados (CVDT) de 1969 e o direito consuetudinário dos tratados não oferecem muita orientação em relação à suspensão buscada pela Ucrânia. A situação deve ser avaliada de acordo com a lei particular e a lei geral, ou seja, sob o tratado em questão e sob a lei geral dos tratados.

Possibilidades de Suspensão sob o CVDT O consentimento de todos os Estados Partes do tratado não existe no caso presente, nem o consentimento de alguns Estados Partes entre si. Nenhum tratado posterior sobre o mesmo objeto foi concluído. Porque a Rússia não é parte da Convenção, sua conduta não constitui uma violação material do tratado, e mesmo que a Rússia fosse parte, o Artigo 60(5) do CVDT provavelmente impediria uma suspensão. Tendo eliminado os motivos anteriores para a suspensão sob o CVDT, a última base remanescente para a suspensão é uma mudança fundamental de circunstâncias. No caso da Ucrânia, essa suspensão deve respeitar as condições de retirada e, como visto, a retirada da Convenção de Oslo-Ottawa não pode ter efeito durante o envolvimento do Estado suspensor em conflito armado.

Pensamentos Conclusivos Diante da situação atual, a Ucrânia não pode suspender imediatamente a Convenção de Oslo-Ottawa de 1997. Portanto, continua legalmente vinculada a ela durante o conflito armado atual, com a ressalva de que as disposições de mudança fundamental de circunstâncias do CVDT podem se aplicar, embora sua aplicabilidade seja bastante incerta. Resta saber se esse aspecto da lei rigorosa em relação à retirada desencoraja os Estados de ratificar ou aderir a algumas convenções de DIH com medo de serem prejudicados em um conflito armado devido a uma proibição legal assimétrica.

*Nota de Contexto: A Ucrânia suspendeu a Convenção de Banimento de Minas Antipessoais em resposta ao uso de minas pela Rússia no conflito armado entre os dois países.

*Nota de Checagem de Fatos: Os princípios e a interpretação dos tratados internacionais são analisados à luz da legislação existente e da situação particular, como no caso da suspensão da Convenção pela Ucrânia.