Um jornalista colombiano foi encontrado morto na noite de sexta-feira na região noroeste do país, uma área infestada por guerrilheiros, traficantes de drogas e garimpeiros ilegais, disse o presidente Gustavo Petro.
O corpo de Mateo Perez, de 25 anos, foi encontrado em uma área onde operam membros do grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e traficantes de drogas ligados ao Clã do Golfo.
Perez estava desaparecido desde terça-feira, quando trabalhava em uma área rural do montanhoso departamento de Antioquia, cerca de cinco horas ao norte da capital regional, Medellín.
O presidente Petro culpou o líder guerrilheiro Jhon Edison Chala Torrejano pela morte de Perez em uma postagem no X, acusando-o de buscar controle sobre a mineração ilícita de ouro na região.
“A comissão humanitária da Cruz Vermelha e a Ouvidoria, com o apoio do governo, conseguiram entrar na área e localizar o corpo”, disse Petro no post.
“A Polícia Nacional tem ordens há várias semanas para reforçar a sua presença nesta zona e contar com o apoio do exército para erradicar os grupos que aí permanecem. A acção das forças públicas será eficaz”, disse.
Grupos de imprensa pedem ao governo que proteja jornalistas
Perez dirigia um meio de comunicação on-line, Confidente de Yarumalonde suas reportagens se concentraram principalmente em crime, segurança, política e corrupção.
A Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP), com sede na Colômbia, disse que Perez “enfrentou pressões legais” devido às suas “investigações sobre economias ilícitas ligadas a atores armados”.
Num comunicado, a FLIP instou o governo a “deixar de ser indiferente aos ataques contra a imprensa” e a adotar “medidas reais de proteção” para jornalistas em risco. “O assassinato de Mateo Pérez não pode ficar impune”, afirmou a organização.
O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) disse que Perez foi detido por membros das FARC em uma barreira em 5 de maio, citando a FLIP.
“As autoridades colombianas devem investigar prontamente a morte de Mateo Pérez Rueda e garantir que os perpetradores sejam levados à justiça”, disse Cristina Zahar, coordenadora do programa para a América Latina do CPJ, em São Paulo.
“O Estado tem a responsabilidade de garantir condições seguras em todo o país, permitindo que os jornalistas realizem o seu trabalho livremente e sem medo de retaliação”, disse ela.
Ameaças contra jornalistas na Colômbia
Desde 2022, a FLIP registrou 387 ataques contra a imprensa por grupos armados, sendo ameaças e deslocamentos forçados citados como as táticas mais comuns.
A FLIP disse que 170 jornalistas foram mortos na Colômbia por motivos relacionados ao seu trabalho desde 1977, incluindo Perez. Desses assassinatos, 22 ocorreram em Antioquia, tornando-o um dos departamentos mais mortíferos do país para jornalistas.
A Colômbia tem assistido a um aumento nos ataques de guerrilha enquanto o país se prepara para as eleições presidenciais marcadas para 31 de maio.
Editado por: Roshni Majumdar





