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A Colômbia abriga a ‘Universidade de Harvard’ de guarda-costas, que os exporta para o exterior

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A Colômbia abriga a ‘Universidade de Harvard’ de guarda-costas, que os exporta para o exterior

Na Colômbia existem cerca de 400.000 pessoas certificadas pela Superintendência como guardas de segurança privada, incluindo pessoal de vigilância, guarda-costas e vigilantes. Eles superam os policiais em dois para um. Crédito: swat-escoltas.com

O conflito armado que a Colômbia suporta há mais de seis décadas e as condições quase imutáveis ​​de insegurança que o país enfrenta caminharam de mãos dadas com o surgimento de profissionais especializados em segurança e manuseio de armas, muito procurados em todo o mundo. Alguns, infelizmente, alistam-se como mercenários nos exércitos de diferentes nações, enquanto outros são recrutados como guarda-costas para proteger todos os tipos de personalidades.

Outros se dedicaram a ensinar a experiência e o conhecimento acumulados ao longo de importantes carreiras militares, nas quais aprenderam tudo sobre o perigoso mundo das armas. Dessa forma, formam profissionais altamente preparados, capazes de enfrentar situações perigosas da vida real com disciplina, estratégia e eficácia. O conhecimento e a formação destes profissionais fizeram com que o talento humano formado na Colômbia como guarda-costas fosse muito procurado em outras partes do mundo.

“60 anos de conflito armado treinaram-nos como ninguém”

Uma das academias de guarda-costas mais reconhecidas é a SWAT International Bodyguard Center, que adotou como nome a famosa sigla SWAT (Special Weapons And Tactics), usada genericamente nos Estados Unidos desde a década de 1960 para designar unidades táticas policiais cujos membros são treinados e equipados para situações policiais especiais, embora o termo também tenha sido usado por outros países.

Localizada no município de Facatativa, a oeste de Bogotá, a duas horas de carro, esta academia é descrita como “a maior escola de segurança privada da América Latina” pelo jornal espanhol El Pais. “Para muitos, é a maior conquista de suas carreiras. A Harvard dos guarda-costas.”

Seus cursos são voltados para guarda-costas, chefes de segurança, gestores, dignitários, políticos, policiais, militares e, em geral, pessoas interessadas em aprimorar suas habilidades e competências, segundo o site da academia.

“Felizmente ou infelizmente, os 60 anos de conflito armado treinaram-nos como ninguém. Depois do exército americano, o Exército colombiano é o melhor”, disse o instrutor Luis Albeiro Garcia, ex-membro do extinto Departamento Administrativo de Segurança (DAS) e parte da equipe de segurança dos ex-presidentes Ernesto Samper, Cesar Gaviria e Álvaro Uribe, ao canal espanhol. “Quando os americanos vêm treinar em nossas selvas, ficam exaustos”, alerta, e garante que, por isso, “lutam pelos guarda-costas colombianos no exterior”.

Seguranças privadas superam policiais em dois para um

O apelido de “Harvard dos guarda-costas” também tem a ver com o tamanho de suas instalações e equipamentos. Possui SUVs, veículos blindados e motocicletas para cursos de direção defensiva e evasiva, salas de aula e salão de conferências, hospedagem para 120 alunos, restaurante e cafeteria, laboratório de tiro com 12 pistas em um só lugar, campos de tiro especializados (alvos metálicos, tiro real, armas longas e curtas), campo de tiro veicular e casa de tiro, além de mais de 10 hectares de terreno para treinamento tático. Mais 27 filiais em todo o país.

O diretor desta academia, major reformado do Exército Nelson Zambrano Ariza, disse ao mesmo veículo que após qualquer incidente de ordem pública amplamente divulgado no país, ocorre um “boom” de matrículas em seus cursos.

“Hoje em dia ninguém pode confiar que nada vai acontecer com eles. Vivemos num estado de alarme 24 horas por dia, 7 dias por semana.” Para confirmar que isto é verdade, basta rever as manchetes dos jornais. No dia 7 de junho completa-se um ano do atentado que custou a vida ao pré-candidato presidencial Miguel Uribe Turbay, dois meses depois.

Outra informação que aponta na mesma direção de Zambrano Ariza foi fornecida pela própria academia: na Colômbia existem cerca de 400 mil pessoas certificadas pela Superintendência como vigilantes de segurança privada, entre vigilantes, guarda-costas e vigilantes. Eles superam os policiais em dois para um.

Pelo menos 11.500 guarda-costas são contratados pela Unidade Nacional de Protecção (UNP) estatal para proteger 12.000 beneficiários, incluindo altos funcionários, líderes sociais ameaçados e outras pessoas que enfrentam riscos de segurança. Isto custa ao Estado cerca de 2,5 biliões de pesos (707 mil milhões de dólares).