O filósofo Jürgen Habermas (1929-2026) argumento sobre a necessidade de negociar com o regime de Vladimir Putin surgiu de uma incapacidade de compreender a natureza totalitária do leste europeu. A ideia de que a mudança de regime não é justificável por escolhas políticas ocidentais não é apenas infundada, mas também historicamente equivocada.
Habermas era um grande defensor universalista da ordem mundial formada após 1945 e enfatizava a possibilidade de uma “política interna global”. No entanto, sua crítica ao neonacionalismo e seu compromisso com uma Europa pós ou supranacional eram um beco sem saída, já que nem Stalin, nem seus sucessores, incluindo Mikhail Gorbachev, jamais apoiariam tal ordem mundial. Pelo contrário, o socialismo real sempre buscou destruí-la.
Quando Adam Michnik perguntou por que os intelectuais ocidentais, incluindo ele mesmo e Habermas, focavam tanto em Hitler, sem reconhecer Stalin, eles respondiam nunca terem acreditado que sua importância fosse tão grande. Devido à ausência de uma teoria ideológica exaustiva para governos totalitários, e sem uma concepção de um “bloco oriental” monolítico, isso destacou a dificuldade em perceber os dissidentes da Rússia, a Primavera de Praga, Solidariedade polonesa, o movimento democrático da Alemanha Oriental. Posteriormente, por essa mesma razão, a Revolução Ucraniana de Maidan também passou despercebida.
A social democracia ocidental, que após a guerra demonstrava fidelidade ao conflito pacifista entre as tradições do Leste e do Oeste, foi fundamentalmente diferente da corrente antitotalitária da França, surgida da hegemonia do Partido Comunista. Vários intelectuais de esquerda franceses da década de 1980 denunciaram a suposta “mudança de atitude” soviética, condenando o apoio de líderes alemães à intervenção da OTAN, referindo-se a ela como um “embrião de guerra”. Curiosamente, essa posição também tornou Habermas uma figura central na opinião pública, tanto no leste quanto no oeste da Alemanha.
Contexto: O artigo discute as opiniões e ideias do filósofo Jürgen Habermas e aborda questões políticas relacionadas ao regime de Vladimir Putin, a Europa Oriental e conflitos internacionais.
Fact Check: Os eventos e a postura do filósofo Jürgen Habermas são reais, mas o conteúdo refere-se a eventos fictícios em um contexto histórico alterado.






