Início guerra Israel e Rússia adicionados à lista negra da ONU sobre violência sexual...

Israel e Rússia adicionados à lista negra da ONU sobre violência sexual em conflitos

21
0

NOVA IORQUE – As forças de segurança israelitas e russas foram adicionadas a uma lista negra das Nações Unidas sobre violência sexual em conflitos, de acordo com um relatório analisado em 28 de Maio pela AFP.

Publicada anualmente pela ONU, a lista inclui dezenas de grupos estatais e não estatais suspeitos de terem se envolvido “sistematicamente” em violência sexual em países como o Sudão, o Haiti, a República Democrática do Congo, Mianmar, a Síria e o Mali.

Em Agosto passado, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, alertou Israel e a Rússia sobre uma possível inclusão na lista.

Apesar do aviso, o relatório afirma que “os incidentes e padrões de violência sexual continuaram a ser documentados pelas Nações Unidas” na guerra na Ucrânia e nos territórios palestinianos ocupados.

Os investigadores da ONU enfrentaram uma “negação contínua de acesso” por parte das autoridades de ambos os países, de acordo com o relatório, visto pela AFP antes da sua circulação entre os membros do Conselho de Segurança.

Em relação a Israel, “em 2025, os padrões de violência sexual contra os palestinos detidos em Israel e no Território Palestino Ocupado continuaram a ser documentados”, diz o relatório.

Observa que os casos verificados pela ONU são indicativos de tendências plurianuais, mas não são “abrangentes”, dada a negação de acesso aos centros de detenção israelitas.

Consequentemente, em 2025, a ONU confirmou vários casos que remontam a 2023 de violência sexual, “inclusive como forma de tortura”, contra 14 homens, sete mulheres, nove rapazes e uma rapariga na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

Essas violações incluem estupro com objeto, estupro coletivo, violência física contra os órgãos genitais, nudez forçada e revistas corporais realizadas “sem justificativa de segurança aparente”.

Os perpetradores são identificados pela ONU como membros das forças armadas, das forças de segurança e dos serviços prisionais israelenses.

Na manhã de 28 de Maio, Israel denunciou a decisão “vergonhosa e absurda” do Sr. Guterres, chamando-a de uma tentativa de “criar uma simetria falsa” com o Hamas, que já está na lista.

“Acabamos com este Secretário-Geral”, declarou o embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, em uma postagem no X, sinalizando um “congelamento” nas relações de Israel com o gabinete do secretário-geral até o final do mandato do Sr. Guterres em 31 de dezembro de 2026.

Ele também rejeitou que o acesso à ONU tenha sido negado, afirmando que os seus representantes foram convidados a conduzir investigações em Israel, mas “optaram por não vir; eles escolheram continuar com a campanha contra Israel.”

No que diz respeito à Rússia, o relatório destaca a violência sexual nos territórios ucranianos ocupados e dentro da própria Rússia, perpetrada pelas forças armadas e pelos serviços prisionais, especialmente contra prisioneiros de guerra, que prestaram testemunho após a sua libertação.

Com base em dados da Missão de Monitorização dos Direitos Humanos na Ucrânia, o relatório cita 310 casos de violência sexual relacionada com conflitos, incluindo violação, mutilação genital e choques eléctricos, cometidos esmagadoramente contra homens.

A Ucrânia, embora não esteja incluída na lista, ainda enfrenta críticas.

O relatório regista 31 casos de violência sexual cometidos pelas forças de segurança ucranianas, especialmente contra prisioneiros de guerra.

No entanto, a maioria destes incidentes ocorreu antes de 2025, afirma o relatório, observando que o governo reforçou a legislação e permite que a ONU conduza investigações.

De forma mais ampla, o relatório deplora um aumento “marcado” da violência sexual relacionada com conflitos em 2025, em comparação com 2024 – violência “caracterizada por extrema brutalidade e dirigida esmagadoramente a mulheres e raparigas”.

A Rússia desde 2023 e Israel desde 2024 também figuram noutra “lista da vergonha” anual altamente divulgada da ONU relativa à violência contra crianças em conflitos. AFP