Acrescentou que entre os mortos no mesmo encontro, identificados na investigação da PNP e validados pelos familiares dos reclamantes, estavam dois menores, Jolinda Jimena (16) e Dexter Patoja (17). Torres disse que a sua presença num ambiente de combate destaca os graves riscos enfrentados pelos jovens que se envolvem em conflitos armados.
Num incidente separado em Samar, em 17 de abril de 2026, outro menor identificado como “João Paulo” foi morto durante um encontro armado, conforme relatado pela 8ª Divisão de Infantaria do Exército Filipino, elevando para três o número de menores mortos em combate no mesmo período.
“Tomados em conjunto, esses casos apresentam um padrão que não pode ser descartado. O envolvimento de estrangeiros juntamente com menores aponta para um âmbito de recrutamento cada vez mais alargado, que se estende para além das bases locais tradicionais e atinge sectores mais vulneráveis”, explicou Torres.
“O recrutamento e o uso de menores em conflitos armados constituem violações graves do Direito Internacional Humanitário (DIH), bem como da Lei da República nº 11.188 (Lei de Proteção Especial de Crianças em Situações de Conflito Armado), da Lei da República nº 7.610 e das obrigações das Filipinas sob o Protocolo Opcional à Convenção sobre os Direitos da Criança sobre o Envolvimento de Crianças em Conflitos Armados (OPAC)”, enfatizou Torres.
Os responsáveis, disse o funcionário do NTF-ELCAC, particularmente os elementos do CPP-NPA-NDF, devem ser responsabilizados por estas transgressões do direito interno e internacional.
Torres disse que estas leis existem para garantir que as crianças sejam protegidas da exploração e da exposição à violência.
“A presença de cidadãos estrangeiros nestes encontros indica ainda que os esforços de recrutamento se expandiram para além das fronteiras das Filipinas, expondo indivíduos da diáspora aos perigos do confronto armado no terreno”, disse Torres.
Estes desenvolvimentos, sublinhou Torres, sugerem uma pressão crescente sobre o movimento para sustentar as suas fileiras, reflectida numa mudança no sentido de recorrer a sectores que estão geograficamente distantes ou inerentemente vulneráveis.
De acordo com Torres, a situação exige uma maior sensibilização e vigilância entre as famílias, comunidades, administrações escolares e organizações – tanto nas Filipinas como no estrangeiro – para garantir que os indivíduos, especialmente os jovens, não sejam colocados em circunstâncias que ponham em perigo as suas vidas.
“Um movimento que atrai crianças e cidadãos estrangeiros para conflitos armados não está a demonstrar força – está a revelar uma tensão crítica que custa vidas humanas”, disse Torres.
Entretanto, a Polícia Nacional das Filipinas (PNP) intensificou os seus esforços de vigilância comunitária em todo o país para conter a evolução das tácticas de recrutamento dos insurgentes após os confrontos.
O chefe do PNP, General da Polícia José Melencio C. Nartatez Jr., disse que as autoridades estão a monitorizar de perto a forma como os métodos de recrutamento mudaram, especialmente entre os sectores vulneráveis.
“Estamos a assistir a uma mudança no recrutamento online – as redes sociais são a principal plataforma. Agora está mais direccionado para os jovens através de narrativas ideológicas e desinformação”, disse ele.
“O recrutamento está a tornar-se mais subtil e inclui a imersão na comunidade e mensagens orientadas para uma causa”, acrescentou, observando que estas abordagens tornam a detecção mais difícil nas fases iniciais.
Para contrariar estas tácticas, Nartatez ordenou a implantação imediata de visibilidade policial centrada na comunidade em Negros e nas províncias próximas de alto risco.
– Ordenei a todas as unidades locais na região da Ilha de Negros e até mesmo em outras áreas que intensificassem suas patrulhas. Deveríamos intensificar ainda mais os nossos esforços na comunidade para garantir que não se percam mais vidas devido à propaganda de recrutamento”, disse ele.






