A administração Trump está a tentar forçar o Irão a fazer concessões, cortando as suas exportações de petróleo. Será que prevalecerá?
Foi estabelecido um cessar-fogo entre os EUA e o Irão, após semanas de combates, e Washington procura agora formas de sair do conflito com o Irão. Duas opções estão sobre a mesa. Os EUA poderiam prolongar o seu bloqueio naval aos portos iranianos ou lançar uma nova onda de ataques para pressionar o regime iraniano a ceder.
“Os EUA combinam frequentemente mensagens estratégicas e ambiguidade deliberada para lhes dar margem de manobra”, afirma a especialista iraniana Fatemeh Aman, que anteriormente trabalhou para o Instituto do Médio Oriente de Washington DC e para o Conselho Atlântico.
Na verdade, o Jornal de Wall Street relata que o presidente dos EUA, Donald Trump, está preparando um bloqueio de longo prazo ao Irã. O meio de comunicação, citando fontes governamentais, afirma que os EUA pretendem manter a pressão sobre a economia e as exportações iranianas até que Teerão esteja disposto a fazer concessões.
A administração dos EUA também está a ponderar novas operações militares contra o Irão, de acordo com o meio de comunicação americano Axios. Na quarta-feira, Trump instou a liderança iraniana a concordar com um acordo de paz, dizendo-lhes para “melhor ficarem espertos logo”.
A administração Trump quer que o Irão desista do seu programa nuclear, entregue 400 quilogramas (882 libras) de urânio altamente enriquecido e reduza a sua influência regional.
Atualmente não está claro quando os EUA levantarão o bloqueio aos portos iranianos.
Pressão em torno do Estreito de Ormuz
Restringir o transporte marítimo através do Estreito de Ormuz tornou-se o meio mais importante de pressão do Irão. O estreito é de importância central para a economia global, uma vez que os estados do Golfo Pérsico o utilizam para exportar grande parte do seu petróleo e gás. O número de navios que passam pelo estreito caiu mais de 95% desde o início da guerra, há dois meses, segundo as Nações Unidas.
Esta escassez de oferta também se aplica aos fertilizantes, que são importantes para os países em desenvolvimento, bem como aos produtos petroquímicos, afirma Fatih Birol, chefe da Agência Internacional de Energia (AIE). Ele teme que o conflito no Irão possa desencadear a maior crise energética da história.
Os EUA impuseram um bloqueio naval aos portos iranianos para cortar as receitas de exportação de petróleo de Teerão. O Irão, por sua vez, diz que poderá reabrir o Estreito de Ormuz ao transporte marítimo internacional se os EUA acabarem com o seu bloqueio.
Estima-se que cerca de 33% a 45% das receitas do governo iraniano provêm das vendas de petróleo e gás. Desde que os EUA impuseram o seu bloqueio aos portos iranianos, as exportações caíram significativamente.
O impacto na produção de petróleo
O bloqueio naval dos EUA restringiu gradualmente as exportações de petróleo iranianas, afirma Homayoun Falakshahi, analista sénior da empresa de dados Kpler, numa entrevista à DW. As remessas diminuíram significativamente, enquanto os estoques aumentaram.
Falakshahi diz que o Irão é forçado a manter o seu petróleo armazenado até que um número suficiente de petroleiros vazios esteja disponível e possa deixar o Golfo Pérsico.
Isto forçou o Irão a reduzir a sua produção de petróleo – uma medida que já foi necessária no passado devido às sanções impostas a Teerão. Outros países da região, como o Iraque, também estão a ser forçados a reduzir a sua produção de petróleo devido a restrições ao transporte marítimo.
A produção de petróleo iraniana poderá cair cerca de 1 milhão de barris por dia dentro de um mês, aproximando-a dos níveis de consumo interno, afirma o especialista em energia Dalgah Chatinoglu. Ao mesmo tempo, o Irão ainda tem cerca de 170 milhões de barris de petróleo em petroleiros que já tinham atravessado o Estreito de Ormuz antes do bloqueio, o que significa que ainda pode esperar gerar alguma receita petrolífera nos próximos dois a três meses, diz Chatinoglu à DW.
Até agora, o Irão parece ser capaz de resistir ao bloqueio naval dos EUA. No entanto, uma suspensão a longo prazo da produção de petróleo poderá causar danos irreversíveis, uma vez que os poços poderão ter de ser encerrados. De acordo com Chatinoglu, os poços improdutivos correm o risco de danos permanentes devido à interrupção do fluxo. A ocorrência disso depende em grande parte da duração e da intensidade do bloqueio dos EUA.
Pressão económica crescente
A pressão económica sobre o Irão está a aumentar à medida que o governo luta para cumprir as obrigações internas, incluindo o pagamento de pessoal de segurança e militar. Esta situação é agravada por anos de má gestão económica, corrupção e sanções internacionais. A taxa média de inflação do Irão foi estimada em 51% no ano passado, com um novo aumento para cerca de 69% previsto para 2026.
Um bloqueio prolongado aprofundaria estes problemas económicos. Contudo, a especialista iraniana Fatemeh Aman afirma que “manter um bloqueio de longo prazo requer recursos militares consideráveis, assenta num terreno jurídico instável e envolve riscos políticos”.
Uma restrição prolongada do tráfego marítimo também poderia prejudicar outros países, aumentar as tensões no Golfo Pérsico e impactar o comércio global, sobretudo as economias asiáticas que são fortemente dependentes das importações de energia desta região, afirma Aman.
“Isto levanta a questão de saber se a pressão de Washington ainda pode ser controlada ou se está a causar problemas não intencionais.”
Reportagem adicional de Morad Rahmati. Este artigo foi escrito originalmente em alemão.







