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Tribunal de Apelações do Chile ordena audiência sobre ação judicial contra cidadão israelense por crimes de guerra em Gaza

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Artigo original: Chile: Tribunal de Apelações de Santiago ordena debate sobre jurisdição em denúncia contra cidadão israelense por crimes de guerra em Gaza


A Oitava Câmara do Tribunal de Apelações de Santiago anulou por unanimidade uma decisão do 8º Tribunal Penal que havia rejeitado uma ação judicial relativa a crimes contra a humanidade, genocídio e crimes de guerra cometidos na Faixa de Gaza.

Esta ação legal é liderada pelo advogado Pablo Araya Zacarías em nome da ONG The Hind Rajab Foundation, visando Roma Kovtun (foto), um cidadão israelense que supostamente reside atualmente no Chile.

A acusação criminal centra-se no seu alegado envolvimento como franco-atirador em operações militares no Hospital Al-Shifa, visando civis palestinos.

O cerne da decisão do Tribunal de Apelações – composto pelos juízes Rodrigo Schnettler Carvajal, o juiz em exercício Christian Carvajal Silva e o advogado associado Sebastián Perelló Enrich – centra-se na estrita adesão ao devido processo legal de acordo com a lei chilena.

Os juízes lembraram que o artigo 114.º do Código de Processo Penal estabelece uma lista fechada (número fechado) de fundamentos legais para um tribunal rejeitar o processamento de uma ação judicial sem procedimento prévio.

«Entre as razões para um tribunal declarar uma ação inadmissível por sua própria iniciativa (…) não há nenhuma que declare falta de competência ou jurisdição do tribunal», afirma a decisão de recurso. O Tribunal sublinhou que estes fundamentos devem ser interpretados de forma restritiva, proibindo a sua aplicação por analogia.

Neste contexto, o advogado do demandante, Pablo Araya Zacarías, manifestou a sua satisfação com a decisão: «Estamos muito satisfeitos e satisfeitos com a decisão tomada pelo poder judicial de Santiago, que anula a decisão anterior do Oitavo Tribunal Penal que negou provimento ao processo contra o cidadão israelita por crimes de guerra internacionais e crimes contra a humanidade.»

O choque de princípios jurídicos

O tribunal superior reconheceu que a aplicação da Lei 20.357 (que pune crimes contra a humanidade no Chile) e do princípio da jurisdição universal suscita uma profunda discussão jurídica.

Este princípio normativo parece estar em conflito direto tanto com o princípio tradicional da territorialidade que rege o Código Orgânico dos Tribunais do Chile como com a jurisdição do Tribunal Penal Internacional (Estatuto de Roma).

No entanto, a decisão esclareceu que este conflito técnico não confere ao juiz de primeira instância autoridade para resolver unilateralmente, mas obriga à abertura do debate judicial através do princípio de ouvir o bilateralismo.

Araya Zacarías enfatizou a importância deste passo, observando que a decisão «abre a porta para discussões em nosso país sobre a possibilidade de aplicar a jurisdição universal em matéria penal, especialmente considerando os crimes de guerra internacionais cometidos nos territórios palestinos».

Tribunal de Apelações do Chile ordena audiência sobre ação judicial contra cidadão israelense por crimes de guerra em Gaza
Algumas capturas de Rom Kovtun nas redes sociais que confirmaram sua presença no Chile e sua participação nas forças militares israelenses em Gaza.

Audiência Obrigatória e Defesa Pública

Após a notificação da decisão superior, o titular da 8ª Vara Penal de Santiago, juiz Leonardo Enrique Valdivieso Lobos, marcou audiência pública para Sexta-feira, 12 de junho de 2026, às 09h00no Centro de Justiça de Santiago (Sala 402, Edifício A, Piso 4).

Essa citação obrigatória exigirá a participação da ONG autora, do Ministério Público – como titular da ação penal pública – e da defesa técnica do réu.

Devido ao status de residência incerto de Kovtun nos registros judiciais atuais, o tribunal designou formalmente a advogada Marcela Araya Acuña, da Defensoria Pública, para assumir sua representação legal e garantir o devido processo caso o réu não tenha um advogado de defesa de confiança.

Para o autor, esta audiência tem um significado histórico. O advogado Pablo Araya Zacarías concluiu: «Em 12 de junho, na audiência solicitada pelo Tribunal de Apelações de Santiago, temos uma oportunidade histórica de nos alinharmos aos tratados internacionais ratificados pelo Chile em relação à aplicação da jurisdição universal, especialmente no que diz respeito a crimes contra a humanidade, crimes de guerra e genocídios como os que ocorrem atualmente nos territórios palestinos ocupados.»

Continuaremos a fornecer atualizações.