Com 1,3 bilhão de pessoas (e contando) vivendo com deficiências ao redor do mundo, e no contexto de uma ordem neoliberal que prioriza a ‘competição e otimização do corpo’, nunca foi tão crucial explorar a ‘relação entre saúde e deficiência’, escreve a revista austríaca L’Homme: European Review of Feminist History. Mas o que é ‘deficiência’?
Nas últimas décadas, o foco mudou de entender a deficiência como algo inerente ao indivíduo para vê-la como ‘resultado das interações entre corpo, pessoa e ambiente’. Uma distinção é feita agora entre a limitação, a condição física ou biológica de uma pessoa, e a deficiência, causada por barreiras sociais que impedem as pessoas com limitações de viver uma vida independente.
Essas barreiras podem assumir várias formas: ‘intervenção do governo, normas sociais, regulamentos institucionais ou obstáculos práticos, como falta de apoio (financeiro, médico ou emocional), falta de integração e até demonização ou criminalização’.
A história da deficiência explora como essas barreiras mudaram ao longo do tempo e, especialmente, ‘como deficiências historicamente foram construídas como desvio’. Os estudos feministas de deficiência adotam uma abordagem interseccional com base na observação de que os estudos de deficiência e de gênero lidam centralmente com relações de poder e desigualdades.
Os artigos desta edição da L’Homme examinam a deficiência do ponto de vista da história das mulheres e do gênero, usando exemplos variados para revelar como ‘as fronteiras entre o corpo, a sociedade e o discurso mudam e como a deficiência pode assumir faces muito diferentes’.
Observações de contexto:
- Este trecho explora o conceito de deficiência a partir de uma abordagem feminista e histórica.
- Destaca a importância de entender como as barreiras sociais afetam as pessoas com deficiência.
- Analisa a interseccionalidade entre gênero e deficiência na construção de desigualdades e relações de poder.







