Um excerto do Ortus Medicinae, uma obra escrita na primeira metade do século XVII pelo alquimista e médico Jan Baptist van Helmont (1580–1644). Neste chamado “receita para os ratos” ele apresentou um dos muitos argumentos a favor do vitalismo – a teoria de que os organismos vivos podem surgir espontaneamente a partir de matéria não-viva. Os defensores do vitalismo acreditavam que a vida era organizada propositadamente e que não poderia ser entendida apenas como resultado de processos mecânicos. Em vez disso, a vida era governada por uma certa força vital inata, vis vitalis, que distinguia o vivo do morto.
No entanto, Pasteur defendeu suas conclusões e afirmou que o processo de aquecimento prolongado de Pasteur havia destruído a força vital do caldo. Ainda assim, quando a comissão da Academia de Ciências da França respondeu às críticas solicitando que os experimentos fossem repetidos, Pouchet declinou, após o que a comissão validou a exatidão dos experimentos de Pasteur e o declarou vitorioso por unanimidade. O debate continuou por algum tempo, motivado em parte pela presença ocasional de organismos vivos nos experimentos de Pasteur. Não foi senão muitos anos depois, quando Pasteur demonstrou que o equipamento de Pouchet havia sido contaminado por organismos microscópicos durante os experimentos, e os cientistas descobriram em certos líquidos nutritivos a presença de esporos – um estágio resistente e dormente em certos microorganismos que lhes permitem sobreviver à fervura – que a batalha pôde ser finalmente resolvida.
Mesmo Darwin comentou sobre a origem da vida naquela época, o que era uma ocorrência rara. Ele escreveu em uma carta datada de 1871: “Mas se (e oh, que grande se) pudéssemos conceber em alguma pequena lagoa quente… um composto de proteínas foi formado quimicamente, pronto para passar por mudanças ainda mais complexas.” Até hoje, a hipótese de Darwin sobre um ambiente primordial não-vivo no qual a primeira semente da vida surgiu continua sendo influente entre os muitos pesquisadores que tentam responder à pergunta sobre a origem da vida. No entanto, agora quando falam sobre essa “lagoa”, eles se referem a algo próximo de quatro bilhões de anos de idade. Além disso, o composto de proteínas do qual Darwin fala em diversos modelos foi substituído por moléculas de RNA autorreplicantes, que se acredita terem iniciado o processo químico que continua em todos os seres vivos conhecidos. Apesar de todo o progresso feito em nome da ciência, ninguém ainda conduziu um experimento no qual a vida surge espontaneamente a partir de matéria não-viva. No entanto, em algum momento, em algum lugar, a vida surgiu. A questão de como isso aconteceu ainda permanece.







