Fotografia por ESTELA SILVA / LUSA
Reconhecido internacionalmente pelas suas intervenções públicas de grande escala, Cai Guo-Qiang fez a sua tão esperada estreia portuguesa com Uma páginaapresentado em 27 de junho de 2026 como parte do BARRACA. Combinando a sua linguagem artística característica com uma coreografia espetacular de drones, o evento de uma noite transformou o céu acima do Rio Douro numa composição fugaz de luz, fumo e fogo.
Um espetáculo inspirado na história e na literatura do Porto
Criado exclusivamente para BABELL, Uma página encheu os céus do Porto e de Vila Nova de Gaia, onde multidões se aglomeravam ao longo da Ribeira e do Cais de Gaia. Utilizando 600 drones, fumo colorido e pólvora, o espetáculo de dez minutos tratou o céu como uma folha em branco, esboçando imagens inspiradas no legado literário, na arquitetura e na identidade cultural do Porto. A própria cidade passou a fazer parte da composição, com o rio, o horizonte e a orla histórica emoldurando a performance.
A linguagem distinta da arte de Cai Guo-Qiang
Durante décadas, Cai explorou o delicado equilíbrio entre destruição e criação através de desenhos de pólvora, fogos de artifício e obras públicas monumentais. Reconhecido internacionalmente por projetar as exibições pirotécnicas para as cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos de Verão de 2008, ele continua a confundir as fronteiras entre performance, instalação e arte ambiental.
Com Uma páginaos drones entraram no seu vocabulário visual, juntando-se à pirotecnia numa obra que existiu apenas por alguns minutos luminosos antes de se dissolver na noite.
Um momento marcante para o Festival BABELL
Encomendado por Fundação Livraria Lello, Uma página tornou-se um dos momentos decisivos do festival. O projeto foi coproduzido com a Câmara Municipal do Porto em colaboração com Pirotecnia de Macedos e Grupo F.
Entre as maiores performances de drones da Europa, Uma página fundiu arte contemporânea, tecnologia e contação de histórias numa luminosa homenagem ao Porto, demonstrando mais uma vez a notável capacidade de Cai Guo-Qiang em transformar o espaço público num trabalho partilhado de imaginação.









