Tintos, brancos ou rosés, todos com uma produção limitada de 5.000 litros, a partir de uma única casta – Touriga Nacional.Hoje, o catálogo da Plansel é vasto, incluindo azeite e gin, e é produzido em mais de 50 hectares, que são constantemente renovados para responder às condições climáticas.
Se o tempo não interferir, a Quinta da Plansel produz cerca de 400 mil garrafas por ano. Metade fica em Portugal e a outra metade vai para o estrangeiro.
“É uma história bastante longa, que começou com um alemão que, em 1961, comprou um barco e queria dar a volta ao mundo, mas o barco afundou na costa de Lisboa. O meu pai ficou três meses preso aqui porque o seu passaporte estava debaixo de água”, disse à Lusa Dorina Lindemann, CEO da Quinta da Plansel e filha do fundador.
Foi tempo suficiente para Jörg Böhm se apaixonar por Portugal e investir no potencial das castas alentejanas.
“O coração do meu pai permaneceu em Portugal. Ele disse que é o país mais lindo que já conheceu, com as mulheres mais lindas e o melhor vinho do mundo”, acrescentou.
Mudança para Portugal
Em 1975, depois de vender os seus bens na Alemanha, Jörg mudou-se definitivamente para Portugal, comprou os primeiros terrenos em Montemor-o-Novo e fundou a Viveiros Plansel. A família Böhm está ligada ao setor vitivinícola pelo menos desde o século XI.
No início dos anos 90, Dorina Lindemann, enóloga universitária de Hesse, decidiu juntar-se ao pai e dedicar-se à produção, aproveitando as vinhas do programa de melhoramento técnico de Böhm.
“Quando cheguei em 1993, me encarreguei de selecionar as plantas e em 1997 fundei a vinícola Plansel. Meu primeiro projeto foi um espumante”, disse ela.
Porém, os primeiros anos não foram fáceis, pois “ninguém queria comprar vinhos monovarietais”. Por isso, Dorina focou na exportação.
“Só há 10 anos que nos tornamos conhecidos e que se começou a falar de Touriga Nacional ou de Alvarinho†, observou. O negócio continua nas mãos da família, sendo que as duas filhas já trabalham na Plansel na produção e comercialização.
Principais mercados externos
Alemanha, Suíça, Luxemburgo, Canadá, Estados Unidos, Angola e França estão entre os principais mercados da Plansel, juntamente com novos empreendimentos na Jamaica, Inglaterra e Lituânia.
Desde a pandemia da COVID-19, a Plansel também tem investido no turismo, reabilitando casas em ruínas.
O investimento no turismo rural rondou os 800 mil euros. A empresa também tem em curso um plano para criar cinco “casas minúsculas” e aumentar o número de turistas em caravanas.
Além disso, Dorina importou da Alemanha o conceito de “bar de vinhos” para uma vinícola.
“Começamos no ano passado, mas tem sido difÃcil. As pessoas estão habituadas a ir tomar uma cerveja, não a ir a uma adega, a olhar o campo e a beber um copo de vinho. Queremos atrair mais pessoas, especialmente jovens”, admitiu.
Além do investimento no turismo, a Plansel dedicou 400 mil euros à melhoria da seleção de clones e 30 mil euros à digitalização e equipamento informático.
A Quinta da Plansel emprega 15 trabalhadores na adega e 20 nos viveiros.






