O presidente russo Vladimir Putin cumprimenta o presidente chinês Xi Jinping durante uma recepção realizada no Dia da Vitória, marcando o 80º aniversário da vitória sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, no Kremlin em Moscou, Rússia, 9 de maio de 2025. Mikhail Metzel | Via Reuters
A Rússia se ofereceu para ajudar a China em caso de escassez de energia, à medida que a guerra no Oriente Médio intensifica as divisões geopolíticas e ameaça o fornecimento global de commodities.
” A Rússia certamente pode preencher a lacuna de recursos que surgiu na China e em outros países interessados em trabalhar conosco de forma igual e mutuamente benéfica,” disse o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, na quarta-feira, segundo comentários reportados pela agência de notícias russa Interfax.
O principal diplomata da Rússia também comentou sobre a capacidade da China e da Rússia de suportar o impacto econômico das operações militares “agressivas” dos EUA contra o Irã, que fizeram com que os preços globais do petróleo e do gás disparassem.
” Graças a Deus, nós e a China temos todas as capacidades, tanto aquelas já em uso, quanto as de reserva e as planejadas, para evitar depender desse tipo de aventura agressiva [a situação no Oriente Médio], que mina a economia global e a energia global,” disse Lavrov em uma entrevista coletiva em Pequim.
A oferta da Rússia veio após Lavrov se encontrar com o presidente chinês Xi Jinping em Pequim na quarta-feira. Os oficiais reafirmaram a amizade e cooperação estratégica entre a Rússia e a China. Ambos os lados afirmaram que o relacionamento é “inabalável diante de qualquer tempestade.”
O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou na quarta-feira que os países “realizam cooperação prática em energia” com base no “respeito mútuo e benefício mútuo,” em comentários reportados pela Reuters.
O presidente russo Vladimir Putin deve visitar a China no primeiro semestre do ano, com o jornal russo Vedemosti citando fontes declarando que o encontro poderá acontecer na semana de 18 de maio. O presidente dos EUA, Donald Trump, também se encontrará com o presidente Xi, com a cúpula marcada para 14-15 de maio.
Moscou e Pequim condenaram as operações militares dos EUA e de Israel contra o Irã.
No entanto, o conflito está se mostrando lucrativo para Moscou, uma vez que os preços do petróleo dispararam. Enquanto isso, a resiliência da China beneficiou os preços dos ativos chineses desde o início da guerra.
Ainda assim, tanto a Rússia quanto a China têm interesses investidos no fim da guerra o mais rápido possível; o Irã é um aliado chave da Rússia no Oriente Médio e não deseja ver outro parceiro cair.
A China, por sua vez, depende do Irã para suas importações de petróleo bruto. Também requer outras commodities que precisam ser transportadas através do estreito de Hormuz, que está atualmente sob um bloqueio dos EUA.
Dados divulgados na terça-feira mostraram que as importações chinesas de petróleo bruto e gás caíram em março em relação ao ano anterior, sinalizando que as interrupções no fornecimento do Oriente Médio estavam começando a fazer efeito.
A China possui grandes reservas de petróleo e uma mistura diversificada de energia, o que significa que sua exposição ao choque energético global causado pela guerra no Irã é considerada mais gerenciável do que a de outras grandes economias. No entanto, a segunda maior economia do mundo depende do fornecimento global de energia e interrupções de longo prazo podem ser custosas para a China.
Enquanto isso, a Rússia, grande produtora de petróleo e gás, tem se beneficiado da guerra no Irã, visto que o fornecimento de energia do Oriente Médio foi impactado, levando grandes compradores como a Índia e a China a aumentarem significativamente as importações, impulsionando massivamente as receitas de exportação de combustíveis fósseis da Rússia. No primeiro trimestre de 2026, 90% das exportações totais de petróleo bruto da Rússia foram entregues para China e Índia, indicam os dados.
Rússia e China condenaram o bloqueio que impede que navios entrem e saiam dos portos iranianos, com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China criticando o “ato perigoso e irresponsável” que irá enflamar ainda mais as tensões na região, em comentários incomumente francos na terça-feira.
– A repórter da CNBC, Anniek Bao, contribuiu com esta matéria.





