O Irão está a preparar um funeral massivo e adiado para o aiatolá Ali Khamenei. Embora o governo o apresente como uma demonstração de força, os cidadãos continuam profundamente divididos sobre o seu legado.
JUANA VERÕES, ANFITRIÃO:
O Irão prepara-se para o adiamento do funeral do seu líder supremo, quatro meses depois de este ter sido morto num ataque aéreo israelita. De Istambul, relata Hadeel Al-Shalchi da NPR, o regime está a organizar o evento deste fim de semana como uma demonstração de força.
(SOUNDBITE DA GRAVAÇÃO ARQUIVADA)
MULTIDÃO NÃO IDENTIFICADA: (Gritando, inaudível).
HADEEL AL-SHALCHI, BYLINE: Num vídeo publicado pela mídia estatal iraniana, uma multidão de homens vestidos de preto canta enquanto o caixão do falecido aiatolá Ali Khamenei passa por eles.
(SOM DA MÚSICA)
AL-SHALCHI: O caixão, pintado com a bandeira iraniana, é colocado num palco e uma banda militar toca enquanto os líderes religiosos mundiais se aproximam para fazer uma oração. Este foi o início do que serão as cerimônias maiores do funeral de Khamenei, que terá início amanhã. Haverá cerimônias memoriais e procissões em Teerã e na cidade de Qom. Depois, os restos mortais serão levados para locais sagrados xiitas em Najaf e Karbala, no Iraque. Khamenei, que foi morto num ataque aéreo israelita em Fevereiro passado, acabará por ser enterrado na sua cidade natal, Mashhad, na próxima quinta-feira. O apresentador de TV estatal iraniano, Najmeddin Shariati, diz que está arrasado e que enterrar seu corpo será uma decisão definitiva.
NAJMEDDIN SHARIATI: (língua não falada em inglês).
AL-SHALCHI: “Ficamos pelo menos felizes porque seu corpo esteve conosco por um tempo”, diz ele.
Espera-se que as autoridades iranianas fechem as ruas e o espaço aéreo durante os dias do funeral, ordenando a todos os funcionários do governo que compareçam às cerimónias, e as pessoas sejam proibidas de ir trabalhar. Mas muitos iranianos dizem que este não é um momento digno de nota. Uma médica de 38 anos, que pede à NPR que não use seu nome por medo de retaliação do governo, diz que já foi.
MÉDICO NÃO IDENTIFICADO: (falado idioma não inglês).
AL-SHALCHI: “Não me importa em qual buraco o corpo será jogado”, diz ela. Ela espera que o funeral seja o fim de um capítulo sombrio para os iranianos.
MÉDICO NÃO IDENTIFICADO: (falado idioma não inglês).
AL-SHALCHI: “É como se essa pessoa nunca tivesse existido e sua voz sinistra tivesse sido apagada da memória de todos”, diz ela.
Mesmo após a sua morte, Khamenei continua a ser uma figura divisiva no Irão. Fatmeh, de 33 anos, que pede à NPR para usar o seu primeiro nome apenas porque teme o governo, diz que discute frequentemente com a sua família sobre o legado do aiatolá.
FATMEH: (língua não falada em inglês).
AL-SHALCHI: “A ideologia realmente funcionou com minha mãe”, diz Fatmeh. “Ela vê Ali Khamenei como parte de sua religião.” Fatmeh diz que, para ela, o funeral do aiatolá é apenas mais um evento de propaganda. Hadeel Al-Shalchi, NPR News, Istambul.
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