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A popularização da extrema

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Uma pesquisa sobre a extrema-direita na Europa apresenta uma imagem mista. Em abril de 2026, um terremoto eleitoral na Hungria forçou Viktor Orbán, líder do ‘internacional iliberal’, a renunciar ao cargo de primeiro-ministro após anos de obstrução à UE. Pouco depois, o governo pró-europeu do primeiro-ministro romeno Ilie Bolojan foi afastado do cargo após uma votação de desconfiança iniciada pelo Partido Social-Democrata (PSD) com o apoio da extrema-direita Aliança pela União dos Romenos (AUR). Na Bulgária, os eleitores elegeram a aliança pró-UE de Rumen Radev, enquanto na Holanda, o Partido da Liberdade de Geert Wilders não conseguiu formar um governo de coalizão. Na Finlândia, o Partido dos Finlandeses faz parte da coalizão governante e na Suécia, a administração liderada pelos conservadores é apoiada pelos Democratas Suecos.

A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, do partido pós-fascista Irmãos da Itália (FdI), está colaborando com a UE em política externa, enquanto na Polônia o primeiro-ministro Donald Tusk, ex-presidente do Conselho Europeu, está sendo impedido de fazer o mesmo pelo presidente do país e pelos juízes alinhados com o PiS. O Partido do Povo Dinamarquês não faz mais parte da coalizão governante da Dinamarca, mas o governo de centro-esquerda do país adotou sua postura anti-imigração. Marine Le Pen, da Reunião Nacional (RN), está à beira do poder na França, enquanto o Alternativa para a Alemanha (AfD) lidera as pesquisas de opinião na Alemanha – assim como o partido Reforma de Nigel Farage no Reino Unido, o Partido da Liberdade Austríaco (FPÖ) na Áustria e o Partido do Povo Suíço (SVP) na Suíça.

Apesar das disparidades no desenvolvimento, a direção é clara. As eleições europeias em 2024 trouxeram uma forte guinada para a direita, com cerca de um quarto das cadeiras destinadas à extrema-direita. Em julho de 2026, os membros do Parlamento Europeu da extrema-direita superam em número os membros do Partido Popular Europeu (PPE) de centro-direita em 12 cadeiras e os membros dos Socialistas e Democratas de centro-esquerda (S&D) em 61 cadeiras. A antiga hegemonia do PPE e do S&D foi quebrada.

O poder do bloco de extrema-direita é limitado pelo fato de estar dividido em três grupos. O mais forte deles é os Patriotas pela Europa (PfE), composto por 85 membros do Parlamento Europeu do Fidesz de Viktor Orbán, do FPÖ austríaco e da RN. Os Conservadores e Reformistas Europeus (ECR), liderados pelos Irmãos da Itália (Itália) e pelo PiS (Polônia), têm 84 assentos. A Europa das Nações Soberanas (ESN), composta por partidos de oito países e liderada pelo AfD (Alemanha), detém os 27 assentos restantes. Essa divisão tripla e as incompatibilidades que a levaram – especialmente entre a RN e o AfD, que foram excluídos do grupo Identidade e Democracia, antecessor do PfE – destacam as diferenças estratégicas entre os diversos partidos de direita na Europa, tanto dentro como fora do Parlamento.

Juntos, no entanto, a extrema-direita aumentou significativamente sua influência nos órgãos de decisão das instituições da UE. Os três grupos aumentaram sua presença em comitês que lidam com políticas de clima e migração e estão dispostos a apoiar o PPE quando as maiorias não podem ser alcançadas de outra forma. Isso já aconteceu com propostas legislativas como a Lei da Cadeia de Suprimentos e também foi discutido em grupos de chat com relação à política de migração e outras áreas de ‘guerra cultural’. Os governos nacionais liderados ou apoiados por partidos de extrema-direita agora têm mais influência no Parlamento Europeu, e o Colégio de Comissários da UE agora inclui Raffaele Fitto (Irmãos da Itália, ECR) como Vice-Presidente para Coesão e Reformas, assim como Olivér Várhelyi (apoiado por Orbán e pelo PPE em 2024) para Saúde e Bem-Estar Animal.

Diferenças de Política

Os três grupos de extrema-direita diferem em sua postura fundamental em relação à União Europeia, seu relacionamento com os conservadores e suas agendas de política externa no contexto dos atuais tumultos geopolíticos.