Adoro Portugal e tudo o que me acontece assim que lá chego. A forma como este país reúne mundos diferentes fascina-me sempre: interiores onde se encontram a cor norte-africana, a elegância europeia e os traços das viagens marítimas, cidades ao mesmo tempo ligeiramente melancólicas e cheias de vida, e uma costa onde a arquitectura parece fluir naturalmente para o oceano. De alguma forma, este país sempre consegue me impressionar.
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Foto de : Matilde Vegas
Este verão, todos os caminhos levam ao Porto, onde foi inaugurado o novo hotel boutique Casa Cedo. E não, não é apenas mais um destino de férias de luxo. Com apenas oito quartos situados numa casa restaurada do século XIX, parece mais uma residência privada de amigos obcecados pela estética do que um hotel. Aqui, as manhãs começam com café e flores recém colhidas no jardim, as tardes são reservadas para leitura num salão repleto de livros sobre arte e design, e as noites são dedicadas a jantares íntimos à mesa do chef na antiga oficina. “Não gostamos de chamar isso de lar longe de casa porque queremos oferecer algo totalmente diferente: uma estadia que vai além do que você está acostumado em sua própria casa”, afirmam os proprietários.
Foto de : Matilde Vegas
A ideia nasceu há quase dez anos, quando o italiano Massimiliano Sale e o irlandês Jeremiah Healy se conheceram em Mykonos. Ambos já tinham visitado o Porto e partilhavam a mesma sensação de que a cidade nunca deixou de os inspirar. O que começou como uma conversa logo se transformou na busca por uma casa que incorporasse a visão compartilhada. Procuravam um local que ainda preservasse as suas camadas originais: azulejos antigos, uma grande escadaria, uma clarabóia de vidro e um jardim escondido da agitação da cidade. Encontraram-na em 2019 e transformaram-na na Casa Cedo através de um cuidadoso restauro. Situado na Rua de Cedofeita, uma das ruas mais conhecidas da cidade, fica a poucos passos do criativo bairro de Miguel Bombarda e da animada Rua da Picaria, repleta de restaurantes, tendo também nas proximidades a Praça dos Leões e a magnífica Avenida dos Aliados.
Foto de : Matilde Vegas
Foto de : Matilde Vegas
Um hotel que começa com uma floricultura
A partir do momento em que você entra na Casa Cedo, fica claro que aqui as coisas são feitas de forma diferente. Em vez de uma recepção, os hóspedes são recebidos por uma floricultura criada em colaboração com o estúdio lisboeta BOSQUE. O perfume das flores recém-colhidas se mistura às fragrâncias de Byredo, enquanto as estantes ficam repletas de cerâmicas, livros e pequenos objetos, muitos deles feitos pelo próprio Massimiliano, um entusiasta da cerâmica. Este não é simplesmente um espaço pelo qual você passa a caminho do seu quarto. É a sala de estar do hotel, um local para desfrutar do primeiro café da manhã ou de um copo de vinho antes do jantar. “Queríamos que a Casa Cedo se tornasse um lugar que une as pessoas através do amor pela beleza e da sensação de fuga da vida cotidiana. As nossas próprias experiências de alteridade motivaram-nos a criar um espaço de pertença, aceitação e abertura.”
A natureza como ponto de partida para todo o interior
A arquiteta Joana Leandro de Vasconcelosa e o seu atelier Atelier in.vitro foram contratados para restaurar a casa histórica, com o objetivo de preservar o máximo possível de elementos originais. Os azulejos cerâmicos originais, os estuques e os detalhes em pedra foram deixados intactos, enquanto muitos materiais ganharam uma nova vida. Os pisos de concreto foram feitos com peças recicladas da casa e os azulejos antigos foram reinstalados nas áreas comuns. A Casa Cedo tornou-se também no primeiro hotel do Porto a utilizar o sistema de reciclagem de água Hydraloop. Como explicam os proprietários, a sustentabilidade nunca foi uma reflexão tardia aqui.
O interior, desenhado pela Quiet Studios, foi inspirado não nos hotéis, mas no jardim. “Na entrada encontramos lindos azulejos decorados com motivos de abacaxi. Ao pesquisar suas origens, descobrimos que a família que morava aqui tinha ligações com o Brasil. Este elemento exótico enriqueceu ainda mais a história botânica que queríamos contar.”
As influências botânicas fluem por todo o hotel. Tons terrosos, verde escuro, azul suave e terracota encontram móveis vintage das décadas de 1950, 1960 e 1970, design português contemporâneo e obras de artistas locais. Nada parece um showroom de hotel. Em vez disso, lembra a casa de alguém que passou anos colecionando pacientemente objetos com personalidade.
Cada quarto tem o nome de uma planta
As oito salas foram concebidas como uma continuação da mesma história. Em vez de números, trazem nomes de plantas como Mandragora, Calla, Amaranthus e Nymphaea Alba, inspiradas no livro Florilegium: O Livro das Plantas. Em todos os quartos, os hóspedes encontrarão livros sobre botânica, um conto sobre a planta que deu nome ao quarto e a coleção Bal d’Afrique de Byredo.
A arte está presente em toda a casa, principalmente nos quartos. As paredes apresentam obras do artista americano Louis Fratino, cuja prática dá continuidade à tradição da pintura figurativa modernista, pinturas do artista italiano Guglielmo Castelli e obras de Bret Charles Seiler, que vive e trabalha na África do Sul e explora temas do corpo masculino, da poesia cotidiana da vida doméstica e da história queer. Juntos, eles criam uma atmosfera ao mesmo tempo calma, refinada e excepcionalmente acolhedora.
Foto de : Matilde Vegas
A Casa Cedo é mais que um lugar para dormir
As áreas comuns receberam igual atenção. O lounge está repleto de livros sobre arte, design, botânica e viagens, enquanto o bar serve coquetéis exclusivos, incluindo o destacado Cedo Negroni. O antigo anexo alberga agora o atelier, espaço utilizado para pequenos-almoços pela manhã que se transforma em cenário para jantares à mesa do chef, lançamentos de livros, exposições e workshops criativos à noite. A cozinha já recebeu chefs como Rafaela Louzada do Brasil, Monika Bloch da Polónia e Francisca Passos de Portugal, e os proprietários pretendem continuar a unir gastronomia, arte, música e design através de eventos intimistas abertos tanto aos hóspedes do hotel como à comunidade local.
Foto de : Matilde Vegas
Um pequeno terraço está escondido na cobertura da oficina, com vista para um jardim projetado pelo artista botânico Toni Sastre. Um dos bairros mais animados do Porto fica a poucos metros de distância, mas daqui parece que a cidade desapareceu por um momento.
Para tornar cada estadia única, a Casa Cedo oferece um serviço de concierge que cria itinerários personalizados e adaptados aos interesses artísticos, culturais e culinários dos hóspedes. O hotel também organiza regularmente eventos abertos a hóspedes e visitantes locais, desde jantares privados e exposições temporárias a workshops criativos desenvolvidos em colaboração com parceiros locais.
Para quem procura uma experiência totalmente privada, todo o hotel pode ser reservado, permitindo aos hóspedes definir totalmente a sua estadia e programa de atividades. Se as suas viagens o levam ao Porto, pare em pelo menos um dos seus encontros para experimentar a atmosfera cativante deste novo boutique hotel.





